domingo, 4 de setembro de 2011

Pratododia.

"O dia do prato chegou...
É quando eu encontro você...
Nem me lembro o que foi diferente..."

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Sobre ônibus e gatos

Esperava o ônibus, com um gato miserável nos braços. Um gato feio e magro.
Poderia ser o menino mais triste com o gato mais feio do mundo.
Não pagaria passagem, de certeza. Sempre passou por debaixo da roleta sem reclamações do cobrador. Embora tivesse onze anos, o tamanho e a magreza lhe deixavam com corpo de criança de bem menos que isso.
A rota era a mesma, no mesmo horário, o motorista era o mesmo. O cobrador também. O menino continuava o mesmo, porém agora tinha um gato.
Ele sabia que ninguém lhe cobraria a passagem, mas e o gato? Deixariam o gato ir sem pagar? Tinha uns trocados que ganhara da mãe para comprar pão. Aliás, deveria voltar da aula com o pão, e não com um gato.
Gato feio. Gato pobre. Gato sem comida. Magro. Mas cabia direitinho no colo do menino, mais magro ainda. O gato se aninhava, como se nunca tivesse ganhado um colo em toda a vida.
Chega o ônibus.
- Deixa o gato! – Berra o motorista
- Eu pago pra ele... choraminga o tristonho guri.
- Gato não anda de ônibus, moleque! – Ele reconheceu a voz do cobrador ecoando no ônibus quase vazio. – Gato faz xixi e fede. Deixa ele, ou vai a pé pra casa hoje.
- Mas agora ele é meu amigo! – hesitou e soltou o que lhe agoniava há muito tempo - e você também fede!
Virou as costas e foi para casa a pé, sem pão e com o gato.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Ode ao Gato - Neruda


Os animais foram
imperfeitos,
compridos de rabo, tristes
de cabeça.
Pouco a pouco se foram
compondo,
fazendo-se paisagem,
adquirindo pintas, graça vôo.
O gato,
só o gato apareceu completo
e orgulhoso:
nasceu completamente terminado,
anda sozinho e sabe o que quer.

O homem quer ser peixe e pássaro,
a serpente quisera ter asas,
o cachorro é um leão desorientado,
o engenheiro quer ser poeta,
a mosca estuda para andorinha,
o poeta trata de imitar a mosca,
mas o gato
quer ser só gato
e todo gato é gato do bigode ao rabo,
do pressentimento à ratazana viva,
da noite até os seus olhos de ouro.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Anne Geddes

Eu acho que ela tem o DOM.








domingo, 23 de março de 2008

Brilho eterno de uma mente sem lembranças


Nova droga 'apaga' lembranças ruins da memória

Pesquisadores das universidades de Harvard e McGill, em Montreal, testaram com sucesso uma droga que bloqueia as más lembranças. Segundo estudo publicado no "Journal of Psychiatric Research", a droga propranolol é usada em conjunto com psicoterapia para amenizar a memória de pacientes com estresse pós-traumático. De acordo com reportagem do site "Live Science", a técnica permite que psiquiatras interrompam o circuito bioquímico que recupera a memória.

Fonte: O Globo

A droga não apaga a memória, mas ajuda a apagar ou diminuir o fator emocional e permite que a pessoa recorde do fato, com o mesmo nível de memória que teria uma testemunha.
Se for realmente verdade, terá muito sucesso.

Teria alguma relação com Eternal Sunshine?

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Meu problema com certas palavras

Talvez ninguém aqui saiba que, quando adolescente, eu tinha um grande talento para a escrita. Drama e ficção sempre foram meus fortes.
Creio que os poucos que sabem que eu tinha esse talento, não saibam que eu parei de escrever meus romances, contos, poesias e crônicas por um problema com as palavras. Basicamente, porque não consigo digerir algumas delas...
Mas como o assunto inicial era o problema com palavras, vamos ao assunto. Vou explicar-lhes o meu maior problema relacionado à elas.
Algumas palavras provocam sensações imediatas inconvenientes, geralmente a sensação de pânico.
Segue-se meu breve relato.

Há 7 anos atras:

Tudo começou com a Kelly... a culpa era dela, oras!
- Oh Kelly, e tua mãe, como está?
- Tá bem, tá no hospital.
- Caramba!!!!!! Ela tá doente?????

Lori, mãe da Kelly é técnica de enfermagem e eu sabia disso.

6 anos atras.
Depois, veio a Miriele...
- Miri, cadê a tua mãe?
- Tá no hospital, né? Até parece que tu não sabe!
- Ai, que que ela tem?

Graça, mãe da Miriele também é técnica de enfermagem e, lógico que eu sabia disso.

De três anos para cá:
75% de minhas colegas trabalham na área.
- Alô.
- Oi, Beli é a Rose... Como tu tá?
- Oi, Rose... Eu to bem, e tu? Isso é hora de ligar? Onde tu tá?
- Ah, Beli... é que eu to no hospital e queria te pedir um favor...
- ROSE! O QUE HOUVE CONTIGO?!?!?!?!

Roselaine é técnica de enfermagem, e eu sempre soube disso.

Há menos de um mês:
Amigos na área.
Beli diz: Gui, cadê o Gu?
Gui diz: Olha, o Gu tá no hospital, né?
Beli digita: Meu Deus, o que aconteceu com ele???

Gustavo é médico, e eu sei que ele quase mora no hospital.

Quinta-feira passada:
A Rose, de novo!
- Alô.
- Oi Beli... É a Rose, tudo bem?
- Oi Rose, to saindo da aula. Tu tá na uni?
- Não Beli, to no hospital...
- Rose, puxa vida, que foi que aconteceu?

Tá, pode falar o que quiser, até me chamar de lesada, numa situação dessas.
Mas certas palavras têm um peso negativo para mim.
Hospital é uma delas.
Mas vai dizer que a culpa não foi deles????

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Seus poemas,
dentre as páginas de um livro,
apareciam sempre de surpresa,
e era como se a gente descobrisse uma folha seca
um bilhete de outrora
uma dor esquecida
que têm agora o lento e evanescente odor do tempo…

A epígrafe, meio grande é verdade, retrata as dores que vem nos visitar de vez em quando. Quintana escreveu isso sobre a sua amizade com Cecília Meirelles, e de fato as dores que vão e vêm são tão diversas quanto estranhas. Algumas delas a gente simplesmente não lembra e quando a gente percebe... PIMBA! É uma mistura de lembrança do que não houve com a saudade do que poderia ter sido. As vezes é um pouco mais concreta é mais real... Dói mas sossega. Como diz o Quintana, tem o lento e evancescente odor do tempo. Nada com o tempo para sossegar as dores.
Infelizmente o mundo é muito pequeno e cheio de encruzilhadas onde encontramos nossa vida de anos atrás. É como se gostássemos de errar novamente e da mesma forma. A vida está na nossa frente, é uma estrada reta... cheia de intersecções que insistimos em usar como retorno e atrasar a nossa viagem.

Bjos a todos.

Ja que estou em Israel, andaram me perguntando o que acho da cupula em Annapolis para fazer um acordo de paz entre israelenses e palestinos....Bom, eu fico com a frase da Condoleeza: "Para resolverem as coisas, as duas partes devem estar dispostas a abrir mao de dogmas e coisas importantes"....
Falo!

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Pegando o gancho do Bruxo....Falo de uma materia da Veja de uns meses atras.....Sobre alimentacao de criancas...Tinha uma guria carioca de 10 anos que so comia sushi e tomava refrigerante....Tinha falta de ferro, proteinas e calcio....Ela nao tomava uma gota de leite, nem comia feijao com arroz....Carne menos....Entao a nutricionista mandava a mae dela empurrar comida goela abaixo.......Frescuras de adultos metidos a besta ja chegaram a criancas de 10 anos....Eh lamentavel....Abaixo a Adultizacao....Concordo contigo, Bruxo....
Falo!

Ser criança....

É notável a capacidade de ser criança. A condição de negar a idade que o tempo quer nos impor. Admiro algumas pessoas que são crianças e acompanham as crianças do seu tempo.
Lembrar o desenho da "nossa época" é apenas nostalgia, admiro mesmo é quem consegue achar graça nos desenhos de hoje. Infelizmente, eu tenho dificuldades de ver os desenhos de hoje, aqueles que confundem inocência com idiotice. Lembro de desenhos como Smurfs, Caverna do Dragão, Superamigos e He-Man que eram, antes de tudo, lições. Depois disso, tivemos um período em que as crianças foram "adultizadas" encantadas pela violência, que na minha época era só na seção coruja. Os desenhos japoneses criaram uma atmosfera de fantasia... O que viria depois?? Teletubbies! Quando eu achei que não podia ficar pior, ficou! Mas não vou citar nome de desenhos para não ferir suscetibilidade, no entanto, acredite, eu vejo uma luz no fim do túnel. Espero que não seja um trem na contramão. Penso que depois da idiotização, a evolução natural será a infantilização, talvez um pouco mais tarde... Mas ela virá. Quem sabe, daqui há um tempo, ser idiota vai deixar de ser fofo e será somente Idiota. Por favor, não confundam ser idiota com ser criança, este último é uma virtude... das mais bonitas!

Bjos e desculpem a bronca!